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JANELA SOBRE O PASSADO... Julho de 2019

2019-07-31

Somente em abril de 1944, por determinação do Governo Provisório, as mulheres francesas ganharam o direito ao voto e à elegibilidade. A ativa participação feminina em La Résistance, a luta pela libertação da França e contra o governo de Vichy foram fatores decisivos para esta conquista. Em outubro de 1945, as mulheres francesas não só participaram nas eleições para a Assembleia Geral Constituinte, como 35 foram eleitas. 


Nas legislativas de 1946, entre os candidatos a deputados contaram-se 382 mulheres. Era o começo de um longo e sinuoso percurso... Neste contexto de mudança, mais propriamente em 1949, Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, obra que a tornou mundialmente conhecida e que, segundo Maité Albistur, foi a que mais influenciou o feminismo contemporâneo. Nascida em Paris, estudou Filosofia na Sorbonne e tornou-se escritora, professora e filósofa existencialista, eterna amante de Jean-Paul Sartre, com quem nunca chegou a casar. No seu livro magistral, de cariz ensaístico, faz uma análise combinada com um conjunto de propostas radicais, para resolver o problema da “guerra dos sexos” e a questão de género. Para a autora, a condição feminina não é um destino em si mesma e, por isso, não deve impedir as mulheres de fazerem escolhas pessoais e de viverem autonomamente. Reconhecendo a existência de diferenças, do ponto de vista morfológico e sexual, entre homens e mulheres, recusa, porém, que essas diferenças justifiquem a dominação masculina que, afinal, nada tem a ver com a própria natureza. Fora o homem que, através da educação e de geração em geração, inculcara a ideia de que ele era o ser essencial, relegando a mulher para um mundo de passividade e servidão. Ao percorrer a História, desde a Antiguidade ao século XX, Simone de Beauvoir procura explicar a dualidade opressão/repressão e ainda desconstruir mitos, como o da imagem misteriosa e de inferioridade da mulher. O seu objetivo é o de conduzir o segundo sexo à libertação, com base em argumentos de natureza científica. Do livro, que só nos EUA, vendeu um milhão de exemplares, ficam-nos as seguintes palavras: Muitos pensam que entre os dois sexos haverá sempre “briga e disputa” e nunca a fraternidade será possível entre ambos. O facto é que nem os homens, nem as mulheres se acham hoje satisfeitos uns com os outros. (...).Cabe ao homem fazer triunfar o reino da liberdade; para alcançar essa suprema vitória é, entre outras coisas necessário que, para além das suas diferenciações naturais, homens e mulheres afirmem, sem equívoco, a sua fraternidade(vol. II, pp. 551 e 568).

|| Susana Serpa Silva

Asas da Igualdade, 31 de Julho Açoriano Oriental

susana.pf.silva@uac.pt

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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