PESQUISAR


Janela sobre o Passado. Outubro - Natália Correia

2021-10-31

Natural da Fajã de Baixo, na ilha de S. Miguel, onde nasceu a 13 de setembro de 1923, Natália de Oliveira Correia foi e é uma figura marcante da cultura portuguesa. Poetisa, dramaturga, romancista e com uma incursão na vida política, na qualidade de deputada à Assembleia da República, deixou vasta obra poética e ensaística, romances, antologias e diversas colaborações em jornais.


Exuberante e polémica, ainda se permitiu gerir uma loja de antiguidades e ser dona de um bar. Intelectual notável e senhora de eloquente oratória, era muito bonita e tinha uma figura distinta, indissociável das elegantes écharpes e do uso de longas boquilhas. 
Era ainda criança quando os pais se separaram. O pai (Manuel de Medeiros Correia) partiu para o Brasil e Natália rumou a Lisboa, na companhia da mãe, Maria José de Oliveira Correia. Estudou num liceu da capital, mas não abraçou o ensino superior, iniciando, muito cedo, a sua atividade literária e chegando a ser coordenadora da Editora Arcádia. A ausência de uma figura masculina, na infância e adolescência, talvez tenha sido o motivo que a levou a casar quatro vezes, sem nunca ter tido filhos. Aos 19 anos, contraiu matrimónio com Álvaro Pereira e, sete anos depois, com o americano William Hylen. No ano seguinte, voltou a casar, desta vez com Alfredo Machado, que era mais velho do que ela. Foi com ele e com duas amigas que fundou o Botequim, lugar de tertúlias e de conspiração contra o regime salazarista. Já viúva, voltou a casar com o artista Dórdio Guimarães, alguns anos mais novo. 
Natália Correia compreendia a literatura como um ato de rebeldia e de insubmissão face aos poderes instituídos, o que se refletiu na sua poética imaginativa e no seu papel ativo contra o Estado Novo. Participou no Movimento de Unidade Democrática, apoiou as candidaturas, à Presidência da República, de Norton de Matos e de Humberto Delgado e pertenceu à Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, liderada por Mário Soares.  Em 1966, chegou a ser condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, então considerada imoral e ofensiva dos bons costumes. Além da resistência política, Natália foi uma das fundadoras da Frente Nacional para a Defesa da Cultura e uma acérrima defensora dos direitos humanos e dos direitos da mulher. No seu programa televisivo Mátria, onde dissertava sobre grandes mulheres portuguesas, apresentou um conceito diferente de feminismo, identificando a mulher como símbolo da liberdade erótica e como matriz de toda a humanidade. Natália advogava posições pouco conservadoras, tendo defendido, no parlamento, a legalização do aborto, mantendo-se sempre fiel ao discurso da total emancipação da mulher. 
Faleceu subitamente, em Lisboa, a 16 de março de 1993, aquela que foi a autora da letra do Hino dos Açores. Em 1981, fora agraciada com as insígnias de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada e, em 1991, com as de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
|| Suasana Serpa Silva - susana.pf.silva@uac.pt
Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 31 de  outubro, 2021

 Ver galeria de fotos

Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.




DEZEMBRO 2021
D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

GALERIA DE FOTOS

UMAR


Mulheres na Pesca