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Janela sobre o Passado - Setembro 2021

2021-09-28

Maria José Estanco foi a primeira arquiteta portuguesa e, tal como outras mulheres que se distinguiram pela sua formação e defenderam os ideais feministas, fez parte da oposição ao Estado Novo. Natural do Algarve, nasceu, em Loulé, a 26 de março de 1905 e começou o seu percurso, matriculando-se no curso de Pintura da Escola de Belas Artes, de Lisboa, com a finalidade de vir a ser professora.


Porém, em 1926, fez uma viagem, com a mãe, ao Brasil e assistiu ao nascimento da cidade de Marília, no interior do estado de S. Paulo. O impacte que lhe causou esta experiência, uma vez que trabalhou com o engenheiro que dirigia a obra, levou-a a inscrever-se no curso de Arquitetura, quando regressou a Lisboa. Tornou-se na única mulher entre uma turma e um curso de homens, sendo, no final, agraciada com o prémio de “Melhor Aluno de Arquitetura”. Terminou o seu curso e defesa de projeto com 16 valores, chamando a atenção de jornais como O Século, que publicitou a sua aprovação.
Em 1930 casou com o micaelense, Raimundo Machado da Luz, professor e pintor neorrealista, de quem teve um único filho. Se o marido teve um percurso pouco convencional, valorizando os temas com figuras femininas e ao arrepio dos cânones impostos pelo regime de Salazar, Maria José foi um exemplo de mulher que o salazarismo não acarinhava. Embora na universidade não se sentisse discriminada, o mesmo não se pode dizer da sua carreira profissional.  De acordo com Glória Marreiros, sua biógrafa, Maria José enfrentou inúmeros obstáculos e chegou a ser caricaturada, pois a sociedade da época duvidava que uma mulher pudesse realizar projetos arquitetónicos exequíveis e de qualidade. Como não era admitida em ateliers, dedicou-se à conceção de joias e à decoração de interiores. Colaborou com a revista Modas & Bordados, foi professora em liceus de Lisboa e do Porto e deu aulas, a reclusos, no Estabelecimento Prisional do Linhó. Como democrata e pacifista resistiu ao Estado Novo e foi uma defensora da emancipação feminina. Pertenceu à direção do Conselho Nacional para a Paz e veio a integrar, já depois do 25 de abril, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM), chegando a ser eleita para o Conselho Nacional. Participou em ações e congressos internacionais e, face à sua dedicação, o MDM atribuiu-lhe, em 1992, a Distinção de Honra. A morte do marido e, em especial, do filho perturbaram-na muito. Faleceu, em Lisboa, aos 94 anos de idade. 
 
|| Susana Serpa Silva, em Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 26 de setembro 2021

susana.pf.silva@uac.pt

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.




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