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Janela sobre o Passado... Janeiro 2021

2021-01-30

No âmbito, ainda, do riquíssimo e versátil círculo feminino que integrou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP), destaca-se Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho (por vezes, imprecisamente, identificada como Albuquerque Pinto). Natural de Figueiró dos Vinhos, onde nasceu a 5 de abril de 1865, descendia de uma família aristocrática (progressista) e, graças à sua condição, recebeu esmerada educação e conviveu, desde muito nova, com escritores, artistas, jornalistas e políticos que frequentavam a casa dos pais. 


Com apenas 17 anos, casou com o engenheiro militar, Joaquim Lúcio Lobo, catorze anos mais velho e de quem teve uma filha. Porém, os sucessivos destacamentos do marido e a incompatibilidade de feitios, levaram-na a pedir o divórcio, ainda antes da implantação da República. Em 1909, já separada, mudou-se para Lisboa, dedicando-se ao ensino. Tornar-se-ia, também, numa relevante escritora, tradutora, militante republicana e ativista feminista. 
Nas palavras de Miguel Portela, Maria Benedita “afirmou-se como uma lutadora de causas cívicas e dos direitos das mulheres, muito em particular do direito ao voto e ao divórcio de que foi grande impulsionadora e fervorosa apoiante com Ana de Castro Osório” (2017:206). Em 1911, viu confirmado o seu próprio divórcio, quando já era sócia da LRMP. Por convite de Bernardino Machado, não só esteve presente na aprovação dos respetivos estatutos, como secretariou a assembleia geral e integrou a primeira direção. Em 1909, fez parte da comissão dirigente e proprietária da revista A Mulher e a Criança, cujo principal objetivo era tratar de questões políticas, sociais, históricas e educativas, em torno das mulheres e da infância. Um ano depois, demitiu-se deste cargo por não concordar que a revista estivesse na dependência dos corpos dirigentes da Liga. Em 1914, juntamente com Ana de Castro Osório, Ana Augusta de Castilho e Antónia Bermudes, fundou a Comissão Feminina “Pela Pátria”, destinada a assistir os soldados mobilizados para a Grande Guerra, bem como as suas famílias. Esta terá sido uma das primeiras organizações que envolveu mulheres no esforço de guerra. Neste contexto, Maria Benedita publicou um livro de pequenos contos, intitulado As Andorinhas (1915) com o intuito de angariar receitas para esta Comissão que, a partir de 1916, seria assimilada pela Cruzada das Mulheres Portuguesas, de que foi uma das cofundadoras. Este organismo foi liderado pela sua amiga, Eliza Dantas Machado, esposa do então Presidente da República. Maria Benedita continuou empenhada nestas causas, até à extinção da Cruzada, pelo Estado Novo, em 1938. Entretanto, e apesar da fortuna familiar, procurou sempre a sua independência,  colaborando com a imprensa de Leiria (com artigos de cariz republicano e feminista), traduzindo, com grande qualidade, autores russos e franceses, trabalhando como tradutora para o jornal O Mundo, escrevendo e publicando poemas e romances. Entre estes: Marina: romance passional (1912), O Vagabundo (1913),  Sonho Desfeito (1922), As Rosa do Menino Jesus (1923). Faleceu, em Lisboa, a 12 de janeiro de 1939.
|| Susana Serpa Silva
Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 30 janeiro 2021

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