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Janela Sobre o Passado... novembro de 2020

2020-11-28

Tal como Adelaide Cabete, de quem  falamos no mês passado, Carolina Beatriz Ângelo  foi igualmente médica e membro da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Foi também uma importante feminista, sufragista e maçon, devendo-se a sua notoriedade ao facto de ter sido a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. 
Nascida na Guarda, em 1877, aqui iniciou os seus estudos, seguindo, depois, para Lisboa onde veio a ingressar na Escola Médico-Cirúrgica e a concluir o curso em 1902. 

Não obstante, por ser mulher, nunca lhe concederam o título de doutora, como acontecia com os outros colegas. Ainda assim, Carolina Ângelo foi a primeira médica a operar no Hospital de S. José, a trabalhar com Miguel Bombarda, no Hospital de Rilhafoles, acabando por exercer ginecologia. Pertenceu a inúmeras associações, como o Grupo Português de Estudos Feministas (1907-1908) e a Associação de Propaganda Feminista (1911), de que foi diretora. No ano em que concluiu o curso, casou com o médico, republicano, Januário Barreto, de quem teve filhos. Porém, sete anos depois ficou viúva e ao tornar-se “chefe de família” requereu a sua inscrição no recenseamento eleitoral. Negado o pedido, em várias instâncias, Carolina não desistiu e chegou à barra dos tribunais. Graças ao juiz João Batista de Castro (pai de Ana de Castro Osório), foi-lhe concedido o direito de ser incluída nos cadernos eleitorais e de votar, nas eleições de 28 de maio de 1911, para a Assembleia Nacional Constituinte. Perante a lei, ela reunia todas as condições: era maior de 21 anos, residia em Portugal, tinha formação superior e assumira a chefia de sua casa e filhos. A revistaIlustração Portuguesa, no n.º de junho, publicou uma reportagem sobre o ato eleitoral, destacando que “uma nota curiosa das eleições foi a de votar uma senhora, a única eleitora portuguesa, a médica D. Carolina Beatriz Ângelo, inscrita com o número 2513 na freguesia de S. Jorge de Arroios.” Conforme descrito na ata da eleição,o Presidente da mesa eleitoral ainda consultou a mesma sobre se devia ou não aceitar este voto e, ao acabar por aceder, declarou que “o direito de voto às mulheres era assunto de grande ponderação, porque esse direito cívico exige grande responsabilidade àqueles que o exercem; que, porém, a Sra. D. Carolina Beatriz Ângelo, diplomada como é, com um curso superior, tem instrução mais do que suficiente, além de um belo talento, para poder arrostar com essa responsabilidade.” (cf. https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Carolina-Beatriz-Angelo.aspx). Apesar do eco na imprensa nacional e internacional, esta foi uma vitória com sabor a derrota, pois o regime republicano,  recentemente implantado, não permitiria o voto feminino. A lei eleitoral de 1913 veio definir o eleitor como um cidadão do sexo masculino, precisamente para evitar situações como aquela que ocorrera, em 1911, com Carolina Beatriz Ângelo. Foi preciso aguardar mais de meio século ... apesar da luta das sufragistas portuguesas.

|| Susana Serpa Silva

Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 28 de novembro, 2020 

Carolina Beatriz Ângelo (1877-1911). Fonte: http://silenciosememorias.blogspot.com/2011/02/327.html

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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