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Janela sobre o Passado... outubro de 2020

2020-10-27

Entre as associadas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, contavam-se duas médicas: Adelaide Cabete (1867-1935) e Carolina Beatriz Ângelo. A primeira, natural de Elvas e oriunda de uma família humilde, foi forçada a entrar muito cedo no mercado de trabalho, devido à morte do pai. Graças à sua determinação, conseguiu prosseguir estudos, tornando-se numa feminista republicana e num exemplo para as novas gerações


Em 1886, casou com Manuel Fernandes Cabete, militar republicano, culto e autodidata, que não só a incentivou a estudar, como, numa atitude inédita para a época, vendeu propriedades para financiar os estudos dela. O habitual era as mulheres abdicarem de carreiras profissionais para se dedicarem, em exclusivo, ao matrimónio. Em 1889, já com 22 anos, Adelaide fez exame de instrução primária e continuou a sua formação até entrar na Faculdade de Medicina, em 1896. Concluiu o curso, em 1900, na especialidade de ginecologia e iniciou a sua atividade, contrariando os preconceitos vigentes e acumulando com a lecionação no Instituto Feminino de Educação e Trabalho, de Odivelas e na Universidade Popular, em Lisboa. A par de uma intensa atividade profissional, tornou-se numa relevante ativista republicana, feminista e maçon. Começou por pertencer à Loja Humanidade, mas tomou a iniciativa de criar a efémera maçonaria mista (1923 a 1926), que chegou a ter ecos nos EUA. Por outro lado, encarando a política como “a ciência de bem governar os povos” (Samara, 2007:105), defendeu a participação das mulheres neste domínio, uma vez que se estas governavam a casa, deviam participar no governo da nação. Em 1914, Adelaide Cabete fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), que se associou a outras organizações feministas e sufragistas internacionais. O principal objetivo era a defesa da condição feminina e infantil, em especial, do mundo operário. Em muitas das conferências que proferiu e dos artigos que publicou na revista Alma Feminina, Adelaide preconizava a educação da mulher e o direito ao voto. Ao longo dos anos 20, o CNMP continuou a desempenhar um papel fundamental, chegando a organizar dois congressos feministas (1924 e 1928). Entretanto, Adelaide participava em congressos congéneres em Paris, Roma e Washington, o que representou um reconhecimento internacional, quer da pessoa, quer do CNMP. Na sua opinião, a república trouxera, a Portugal, alguma igualdade civil entre géneros, mas ainda faltava a igualdade política, pelo que continuou a pugnar pelo direito ao voto feminino. Além disto, esta proeminente feminista portuguesa — que almejava fazer das mulheres colaboradoras ou parceiras dos homens e socialmente úteis — era a favor do abolicionismo, da educação da mulher e da criança e era contra a prostituição, o alcoolismo e as touradas, espetáculos que considerava bárbaros e prejudiciais à educação do povo.

|| Susana Serpa Silva. Asas da Igualdade, 24 de outubro Açoriano Oriental, 2020

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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