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Janela sobre o Passado... Setembro de 2020

2020-10-02

Depois do breve apontamento sobre a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, publicado na edição anterior, importa destacar o perfil das suas associadas e ativistas. Comecemos com a escritora e jornalista Ana de Castro Osório (1872-1935), uma das fundadoras desta organização. Filha de um juiz, nasceu em Mangualde e cresceu num ambiente que lhe proporcionou, desde cedo, o acesso a biblioteca e a ideias inovadoras. 


Em 1894, mudou-se para Setúbal onde iniciou a carreira de escritora, mantendo contactos com personalidades da política e da cultura, como Camilo Pessanha. Em 1898, veio a casar com Francisco Paulino Gomes de Oliveira, escritor, republicano e ativista, com quem teve dois filhos e partilhou a vida literária e política. Viveu no Brasil, onde o marido foi cônsul de Portugal e aqui prosseguiu com atividades de matriz republicana e feminista. Regressou a Portugal, em 1914, após enviuvar, mas pelo seu papel como mulher de letras, pedagoga e feminista, recebeu, nos anos 20, um convite das autoridades brasileiras para proferir várias conferências em cidades como o Rio de Janeiro, S. Paulo, Curitiba, Porto Alegre, entre outras. Considerada por Maria Alice Samara como “uma das mais importantes feministas do panorama português” (in Operárias e Burguesas. As mulheres no tempo da República, 2007), Ana de Castro Osório foi uma lutadora, em defesa das suas convicções e sem desanimar perante as dificuldades e as críticas que lhe eram feitas. Acreditava que o republicanismo era a única via atinente ao progresso e à civilização e defendeu as causas femininas, sem radicalismos. Para ela o feminismo não consistia num confronto de géneros, nem numa substituição dos homens pelas mulheres. Tratava-se, sim, de um movimento com vista a permitir a dignificação das mulheres (na legislação, no trabalho, na família) e a sua entrada na vida social e política. Enquanto autora de livros infantis, pugnou por uma mudança da sociedade por intermédio da educação cívica das crianças. Através de conferências e palestras procurou dar a conhecer ao público feminino os seus direitos cívicos, enaltecendo as capacidades intelectuais e laborais das mulheres. Quando em 1907 aderiu à Maçonaria, pela Loja Humanidade, travou uma longa batalha pela igualdade de género no seio da própria organização. A referida Loja era considerada de “adoção”, pois as maçons modernas ficavam dependentes de uma loja masculina, que as adotava. Ana de Castro Osório tornar-se-ia presidente da Loja Humanidade, quando esta foi reconhecida como independente. As lutas maçónicas persistiram, mas para esta feminista a Maçonaria devia ser um veículo de defesa e luta em prol do feminismo e da revolução republicana. De resto, o seu papel na fundação e incremento de organizações feministas assumiu enorme relevância, desde o Grupo Português de Estudos Feministas à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e à Associação de Propaganda Feminista.

|| Susana Serpa Silva

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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