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Janela sobre o Passado julho de 2020

2020-08-03

Se já durante o século XIX, se haviam distinguido algumas mulheres portuguesas, que lutaram pela sua independência ou viveram dos seus próprios meios e mérito pessoal, com a viragem para o século XX e o incremento do republicanismo, impôs-se acrescida modernidade no tocante ao género feminino e, em especial, no que concerne à educação. O papel e a importância do ensino no destino dos povos configuraram um dos princípios fundamentais do ideário republicano e a garantia da educação pública integrava as linhas programáticas do próprio partido. 


A honrosa e tardia exceção coube ao Liceu D. Maria Pia, criado por decreto de 31 de janeiro de 1906. A educação das mulheres tornou-se, pois, uma premente reivindicação de alguns círculos feministas republicanos, que passaram a exigir o acesso ao ensino secundário e superior, dado que era uma raríssima exceção. A instrução feminina, entendida como a chave para a admissão das mulheres em práticas de cidadania, tornou-se numa questão essencial, presente nos discursos de D. António da Costa, de Maria Amália Vaz de Carvalho, Alice Pestana ou Bernardino Machado, político que ascendeu à Presidência da República e que, desde o início da sua atividade parlamentar, desempenhou um papel relevante na campanha a favor da educação feminina. Em 1898, num artigo que publicou numa revista de Coimbra, sobre a “Educação da Mulher”, Bernardino Machado apelou a esta concretização, considerando que a ausência de mulheres nos liceus e nas universidades avultava como um dos problemas das sociedades modernas, sendo necessário abrir-lhes o caminho para novas carreiras profissionais, uma vez que além do espírito de sociabilidade e de previdência, as mulheres eram dotadas de grandes virtudes cívicas e de capacidade de observação e de crítica.

A fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em fevereiro de 1909, representou um triunfo do associativismo feminino e permitiu aos seus membros ganhar um considerável poder reivindicativo, bem como dimensão política. A Liga deu voz à luta a favor da alteração da condição feminina, recusando que as mulheres continuassem a ter um papel meramente passivo, numa sociedade que as menorizava. Entre os discursos promovidos, sobressaíam a defesa do direito ao voto, ao trabalho, à administração dos bens e, naturalmente, à instrução liceal e superior. Apesar das cisões que se verificaram, a partir de 1911, a Liga continuou a ser uma entidade fundamental em prol das lutas feministas em Portugal.

|| Susana Serpa Silva

Asas da Igualdade, Julho 2020

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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