PESQUISAR


Janela sobre o Passado junho de 2020

2020-07-02

Ao longo do século XIX, apesar do conservadorismo da sociedade portuguesa, algumas mulheres distinguiram-se pelas atividades que desempenharam, fora dos quadros e referências habituais, inerentes ao universo feminino. Um exemplo é o de D. Antónia Adelaide Ferreira, conhecida como a Ferreirinha (1811-1896). 


). Por ter ficado viúva muito nova, com um casal de filhos a seu cargo, tornou-se uma empresária de sucesso, na área da produção e venda de vinho do Porto, assumindo a liderança da Casa Ferreira, fundada pelo seu avô. Apesar de ter nascido numa família abastada, veio a lutar contra muitas dificuldades, quer por falta de apoios governamentais, quer pelas doenças que atingiram as vinhas. Ainda assim, nunca desistiu dos seus objetivos, introduzindo importantes inovações e ajudando os trabalhadores, bem como outras obras beneficentes. O seu empreendedorismo e espírito inovador, permitiram que evitasse que as suas propriedades passassem para as mãos de ingleses e, quando faleceu, deixou uma fortuna considerável e cerca de 30 quintas na região do Douro.

Outro exemplo de modernidade é o de Aurélia de Sousa (1866-1922) que, segundo o historiador José-Augusto França, foi verdadeiramente a primeira pintora portuguesa, (embora não a única do seu tempo), uma vez que viveu do seu talento e trabalho. Filha de emigrantes lusos no Brasil e Chile, regressou a Portugal com apenas 3 anos e começou a estudar pintura aos 16, na Academia de Belas-Artes do Porto. Também estudou em Paris e recebeu influências de pintores e intelectuais franceses. Foi nesta cidade que realizou as primeiras exposições, revelando uma especial apetência por motivos florais, num estilo naturalista, com laivos impressionistas. Além das pintoras, de entre as quais podemos referir Leopoldina Maia Pinto, Maria Augusta Bordalo Pinheiro e Josefa Greno (de origem andaluza), podemos também salientar, como representantes de mulheres independentes e dedicadas a uma carreira, as atrizes de teatro, nomeadamente do Teatro Nacional D. Maria II, como Rosa Damasceno, Emília das Neves (filha de pai terceirense) e Carolina Falco. Esta chegou a atuar em Ponta Delgada, nos anos 70 do século XIX, na companhia do ator Cesar de Lacerda. Ambos eram nomes importantes da dramaturgia nacional e, segundo constava, com alguma reputação no estrangeiro.

Contra um  discurso e uma mentalidade dominantes, que elogiavam e defendiam a mulher recatada e dedicada ao lar e à família, muitas mulheres das classes mais elevadas “(...) saíam, viajavam, exigiam instrução, manifestavam uma intensa ‘vontade de saber’, enfim, questionavam o seu lugar na sociedade”, como afirma Irene Vaquinhas (2000: 16). Por tudo isto, ainda no século XIX, à semelhança de outros países europeus e dos EUA, algumas mulheres portuguesas anunciaram os primeiros movimentos feministas e sufragistas, que vieram a atingir maior projeção durante a Primeira República.

|| Susana Serpa Silva

 Ver galeria de fotos

Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



NOVEMBRO 2020
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930

GALERIA DE FOTOS

UMAR


Mulheres na Pesca