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Janela sobre o Passado... Março de 2020

2020-03-29

Se no passado mais remoto várias mulheres portuguesas desempenharam um papel de relevo, que se traduziu numa notável influência social e política, quanto mais nos aproximamos do nosso tempo esse número aumenta, até porque se torna possível conhecê-las melhor devido à maior abundância de fontes.


Não obstante, nem sempre a historiografia destaca devidamente estas mulheres portuguesas ou residentes em Portugal, cujo papel e ação não foram despiciendos na época em que viveram. Relativamente ao século XVIII, por exemplo, “mesmo das rainhas e princesas se fala menos do que merecem seus méritos: Maria Ana de Áustria que foi regente e terá favorecido a ascensão de Pombal, esposo da sua compatriota; a princesa do Brasil depois rainha, D. Mariana Vitória, (...), culta e capaz; a 3.ª Marquesa de Távora, D. Leonor Tomásia, que reunia nos seus salões os inimigos do Marquês de Pombal e foi executada com seu marido e primo, (...). Na nobreza, o Embaixador de França, homem difícil e pouco simpático para com as portuguesas, admira a Condessa de Vimieiro e, embora a deteste, é finalmente levado a reconhecer os talentos de Alcipe. A vida da Condessa d'Oyenhausen, nascida Alorna, não foi fácil” (Gentil da Silva, 1982: 151-152). 
É precisamente esta aristocrata que hoje nos propomos destacar. Leonor de Almeida Portugal e Lencastre, Marquesa de Alorna (1750-1839), nasceu no seio de famílias nobres, mas teve uma infância atribulada devido às perseguições do Marquês de Pombal, uma vez que seus pais e avós eram parentes dos Marqueses de Távora.  Leonor, posteriormente conhecida como Alcipe, chegou a ser presa com a mãe e viveu no exílio. No regresso a Portugal, ainda muito jovem, dedicou grande parte do seu tempo à leitura, à composição de poesias e à pintura. Depois de casar com um militar de ascendência austríaca, viveu no Porto e em Viena, onde também ganhou notabilidade como poetisa e pintora. De regresso a Portugal, ficou viúva, dedicando-se à educação dos filhos e a práticas beneficentes, sendo nomeada dama de honor de D. Carlota Joaquina. Voltaria a viver no estrangeiro durante as invasões francesas, mas regressou ao país natal, em 1815, reivindicando os vários títulos e vínculos deixados por morte de seu irmão. Deixou numerosa obra poética, publicada após a sua morte e alguns ensaios sobre religião e literatura. Como refere Cecília Barreira, além de iniciadora do romantismo português, a Marquesa de Alorna foi também dinamizadora de salões e tertúlias literárias onde Alexandre Herculano, ainda jovem, pontificou (Barreira, 1994: 155).
 
|| Susana Serpa Silva susana.pf.silva@uac.pt

Asas da Igualdade,Açoriano Oriental, 28 de Março 2020

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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