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Janela sobre o Passado... Fevereiro de 2020

2020-03-02

A valentia da mulher portuguesa, pronta a lutar contra as adversidades, encontra, em tempos mais remotos, uma emblemática representação na figura lendária de Brites de Almeida, mais conhecida com a Padeira de Aljubarrota. Esta heroína portuguesa, cuja existência não se comprovou, ficou associada à histórica batalha de 1385, que opôs castelhanos a portugueses, tendo as tropas lusas saído vitoriosas. 


Segundo a lenda, esta mulher de vida errante, que acabou por se tornar padeira e se  fixou em Aljubarrota, terá encontrado vários soldados inimigos escondidos no seu forno e chaminé e, sem qualquer receio, puxou da sua pá e agrediu-os, acabando por  os matar. Diz ainda a lenda que, durante algum tempo, a famosa padeira liderou uma milícia feminina que perseguia a afugentava os castelhanos daquelas redondezas. 
Sendo certo que a resiliência e a luta pela sobrevivência terão marcado a vida de muitas mulheres do nosso passado, em especial as de condição popular, cujas vidas e obras ficaram sepultadas sob o silêncio da memória e da História, por falta de dados e de testemunhos, já entre as mulheres da nobreza encontramos figuras de comprovado poder e relevante intervenção política e social, que as não deixaram ficar esquecidas. No século XV, por exemplo, as evidências apontam para D. Beatriz, Duquesa de Viseu e de Beja, mãe de dois filhos ilustres e igualmente poderosos: o rei D. Manuel I e a rainha D. Leonor, esposa de D. João II, fundadora do Hospital Termal das Caldas e da Misericórdia de Lisboa. Se os descendentes são mais conhecidos, em boa verdade, a progenitora também alcançou grande protagonismo, especialmente após a morte do marido (Infante D. Fernando), ao tornar-se tutora dos filhos. Nesta condição, passou a governar e a administrar o seu património, que se estendia pelo território continental e pelas ilhas dos Açores, Madeira e Cabo Verde. Assim, e durante algum tempo, D. Beatriz tornou-se chefe da Casa de Viseu-Beja, senhora das ilhas e até Governadora da Ordem de Cristo, o que reflete as suas capacidades e dotes. A tudo isto, acresce o seu papel de interlocutora e mediadora entre Portugal e Castela, salvaguardando, com mestria, os interesses portugueses e a soberania sobre os arquipélagos. O reinado de D. João II levaria ao seu afastamento da ribalta, mas não por muito tempo. Quando o filho, D. Manuel I, ascendeu ao trono, a infanta D. Beatriz voltou a reassumir o seu protagonismo. 
|| Suasana Serpa Silva
Asas da Igualdade, 29 de Fevereiro, 2020, Açoriano Oriental

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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