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Janela sobre o Passado... Setembro de 2019

2019-09-30

Nos anos 50, apesar do triunfo de uma vertente conservadora associada ao incremento da vida familiar e da domesticidade, que consagrava a mulher como “fada do lar”, as  novas gerações europeias e norte-americanas, beneficiadas pelo aumento de postos de trabalho e pela segurança no emprego, viram crescer o seu poder de compra e afastaram-se dos modelos clássicos. 


O consumo de roupa moderna e de linhas jovens, o gosto pela música não convencional, o fascínio pelo cinema e, sobretudo, a opção por um estilo de vida irreverente, livre e informal, marcaram os chamados teddy boys e teddy girls, de origem britânica, os beatnicks (rebeldes intelectuais americanos) e as famosas pin up girls – símbolo da cultura pop, muitas delas celebridades consideradas como sex symbols. Gradualmente, foi-se acentuando o fosso entre gerações na sequência de uma emergente “revolta cultural”, consubstanciada pelo nascimento do rock and roll, que tanto viria a deslumbrar o consumidor teenager, como a horrorizar os seus pais e avós. No grande e no pequeno écran (a televisão já era o foco central na vida de milhões de lares), as figuras femininas tornavam-se cada vez mais famosas, tanto nos filmes e espetáculos de variedades, como na publicidade. Ora representavam as mães, esposas e donas de casa; ora eram coisificadas, reduzidas aos seus atributos físicos e meramente decorativos. Exemplo significativo é o de Norma Jeane Mortenson, conhecida pelo nome artístico de Marilyn Monroe. Quer em vida, quer na morte, a sua figura despertou as mais díspares fantasias, sendo explorada como objeto físico perfeito, destituído de personalidade. Tornou-se num estereótipo do erotismo e da futilidade, numa sociedade que foi incapaz de reconhecer as suas fragilidades e carências de menina pobre, criada em orfanatos e casada, pela primeira vez, aos 14 anos de idade. Alguns dos filmes que protagonizou deixam bem visível o papel que o mundo ocidental continuava a atribuir às mulheres: Como se casar com um milionário e Os Homens preferem a loiras, onde interpretou a célebre canção Os Diamantes são os melhores amigos das mulheres. Afinal, as lutas feministas ainda tinham muito por batalhar e muito por conquistar, atendendo a que o mais difícil é modificar as mentalidades dominantes. Até na vida política, os homens utilizavam as mulheres para oferecer ao público uma determinada imagem, continuando a reduzi-las a um papel secundário. 
 
|| Susana Serpa Silva
susana.pf.silva@uac.pt
Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 30 Setembro 2020

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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