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Janela sobre o Passado... Janeiro de 2020

2020-01-30

Após um longo percurso de abordagem do feminismo histórico, no mundo ocidental, desde o séc. XVII aos anos 70 do séc. XX, doravante, com o novo ano que se inicia, a nossa janela vai abrir-se sobre a mulher portuguesa e os movimentos feministas no nosso país, sem esquecer os Açores, em particular. 


Trataremos, sobretudo, de figuras que tiveram um papel marcante, no seu tempo, e que assim nos permitem homenagear todas aquelas que, no silêncio e no anonimato, foram, igualmente e à sua maneira, grandes mulheres. Iremos privilegiar os séculos XIX e XX, mas recuaremos a outras épocas, quando possível, para realçar algumas mulheres, talvez menos conhecidas, mas que também se distinguiram. 
Em 1904, António Torres de Carvalho reuniu, em livro, impressões de viajantes estrangeiros sobre a mulher nacional, salientando o testemunho de Juliette Lamber que, em 1896, exaltou “o tradicional heroísmo das mulheres portuguesas”, pois, durante séculos, deram prova da sua valentia quando viram partir maridos e filhos, não só na gesta dos descobrimentos, mas também na demanda de longínquos destinos de emigração. Sozinhas, tiveram de lutar pela sobrevivência e pela família. Outras, pela sua favorecida condição social, dedicaram-se a causas públicas e até de natureza política. Foi o caso de Violante do Canto, nascida, em Angra, em 1556, no seio de famílias de elevado estatuto social. O pai, João da Silva Canto, era terceirense e filho do primeiro Provedor das Armadas, Pero Anes do Canto. A mãe, Isabel Correia, era micaelense e descendente de Jácome Dias Correia, casado com a filha de um importante povoador da ilha de S. Miguel. Violante veio a ser herdeira de um importante património e recebeu esmerada educação da sua ama e mestra, Simoa Monteira, que a ensinou a ler, a escrever, a rezar e a cozer. Estes predicados não estariam ao alcance da maioria das mulheres de então e, por isso, o seu espírito e fortuna, fizeram dela uma figura de referência na assistenciais aos desamparados da ilha Terceira e como partidária de D. António, Prior do Crato, rival de Filipe II de Espanha, na pretensão ao trono português, em pleno contexto de crise dinástica. Entre 1581 e 1583, Violante do Canto tornou-se uma “heroína” ao apoiar a resistência, da sua ilha, ao domínio filipino. Em 1582, o Prior do Crato esteve entre a sociedade terceirense e privou com D. Violante, que terá dispensado recursos a favor da sua causa. Se o fez de livre e plena vontade, subsistem dúvidas. Terá sido influenciada por outras figuras afetas a D. António. O certo é, que com a vitória dos espanhóis, ela foi condenada ao desterro e prisão, obrigando a justificar as suas posições perante as autoridades castelhanas.
|| Susana Serpa Silva
Asas da Igualdade, Açoriano Oriental, 30 Janeiro 2020
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 Violante, 450 anos do Nascimento de D. Violante do Canto. Comunicações do Colóquio, Angra do Heroísmo, DRC, 2006. Inclui contributos de Gilberta Rocha, Susana Serpa Silva, Susana Costa e Rute Dias Gregório

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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