PESQUISAR


Janela sobre o passado. Dezembro 2019

2019-12-30

Nos finais dos anos 60 e inícios da década seguinte, os movimentos de libertação da mulher estavam já muito generalizados nos EUA, em particular, em cidades como Nova York ou estados como a Califórnia. Algumas estações de televisão começaram a transmitir programas dedicados a temáticas feministas.


Na Universidade de Berkeley, a população estudantil feminina ia-se tornando cada vez mais significativa, organizando-se seminários dedicados aos estudos de género, com o objetivo de despertar consciências, levar a mulher a pensar sobre si mesma e a tornar-se mais livre. Não foi coincidência, o surgimento do Women’s Refugee de Berkeley que, como o nome indica, era um grupo de acolhimento e ajuda de mulheres em situação difícil ou com necessidade de auxílio psicológico e logístico. Outro grupo importante foi o Women’s Liberation Front, também de Berkeley, que desenvolveu uma importante ação na defesa dos direitos laborais femininos: trabalho pago durante a ausência por maternidade; salário igual por trabalho igual; fim do sistema educativo que conduzia as mulheres a trabalhos de baixa remuneração. Gradualmente, nos EUA, as Frentes de Libertação Feminina foram-se multiplicando, com reivindicações que iam desde a igual repartição das tarefas do lar entre todos os membros da família até à abolição da obrigatoriedade da esposa usar o sobrenome do marido. Contudo, a luta estendia-se numa ampla frente que abrangia o fim do sexismo, do racismo e do imperialismo, pela construção de uma nova sociedade, onde a afirmação do mérito pessoal prevalecesse, sem importar o sexo.

Em 1970, em França, a revista Elle organizou os “Estados Gerais da Mulher” e o Movimento de Libertação Feminina (MLF) ganhou uma enorme força e projeção. Quer na Grã-Bretanha como na Itália, as mulheres manifestavam-se e lutavam por uma instrução de qualidade, por uma carreira profissional, pelo direito à sua independência e valorização enquanto pessoa. Mesmo que os Movimentos de Libertação da Mulher não tenham logrado alcançar todos os objetivos a que se propunham, a dimensão que atingiram não pode ser ignorada. As mulheres começaram a estar preparadas para serem livres e independentes e os homens foram obrigados a olhá-las, não como seres iguais, mas como cidadãs de pleno direito e valor. Um longo caminho tem sido percorrido desde os anos 70 até aos nossos dias, mas há muito por fazer... Ainda persistem resistências à mudança e gritantes formas de desigualdade entre géneros. A sociedade do mérito pessoal ainda não está consolidada e o feminismo construtivo está longe de ser vitorioso. No limiar de um novo ano e de uma nova década, urge que a reflexão sobre a condição feminina continue na ordem do dia e que a igualdade triunfe sobre a “guerra dos sexos”.

|| Susana Serpa Silva. Asas da Igualdade, 28 Dezembro, 2019, Açoriano Oriental

 Ver galeria de fotos

Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



MARÇO 2020
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031

GALERIA DE FOTOS

UMAR


Mulheres na Pesca