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Janela sobre o Passado... Abril de 2019

2019-04-27

Ao longo dos anos 20, a França continuou a ser palco de lutas feministas. Algumas ativistas, como Nelly Roussel, chegaram a ser julgadas, por promoverem campanhas inspiradas no neomalthusianismo, ou seja, em defesa da esterilidade voluntária ou greve dos ventres. A ideia era a de contrariar a imagem e o papel da mulher como uma máquina obrigada a procriar e, ao mesmo tempo, procurar promover a maternidade consciente e responsável. 


O discurso feminista tendia a endurecer-se contra as mentalidades misóginas que teimavam em prevalecer e contra a posição das autoridades decididas em recuperar os efetivos populacionais perdidos na Grande Guerra. Nelly Roussel acabaria por associar o feminismo ao combate político, por considerar que além da luta contra a ordem burguesa e capitalista, as mulheres ainda tinham de batalhar contra as injustiças e os preconceitos que as faziam sofrer e que, na realidade, não emanavam da burguesia e do capitalismo, mas das mentalidades dominantes entre os homens e entre todas as classes sociais e partidos políticos. Após uma viagem de Madeleine Pelletier à Rússia, Nelly Roussel comprovou que, afinal, nem no país da revolução a condição feminina se alterara... 
Apesar da sua morte prematura, Roussel viria a exercer uma grande influência sobre os movimentos feministas de décadas posteriores. Aliás, no mundo ocidental dos anos 30, os avanços da industrialização e os anseios por uma melhoria do nível de vida, tornaram-se motivos para a limitação da fertilidade, levando a contrapor a liberdade feminina às pressões e às políticas populacionistas. Enquanto na Alemanha nazi e antifeminista, se encorajavam as famílias numerosas para “engrandecimento da raça”, em França proibiu-se o aborto e a venda de contracetivos. A encíclica papal Casta Conubii (1931) veio declarar que só a limitação “natural” da família não era pecado e mesmo na Grã-Bretanha ou nos EUA as reações ao planeamento familiar foram pouco favoráveis. Cerca de metade dos estados norte-americanos mantiveram leis oitocentistas que proibiam a venda e distribuição de contracetivos. Na realidade, todas as classes praticavam o controlo da natalidade, mas só as mais favorecidas beneficiavam dos métodos recentes e seguros. Os que dispunham de menores recursos (financeiros e culturais), acabavam por ter o maior número de filhos enfrentando, por isso, inúmeras dificuldades.
|| Susana Serpa Silva
susana.pf.silva@uac.pt
Em Asas da Igualdade. Açoriano Oriental, 27 Abril 2019
 
Nelly Roussel (janeiro, 1878-dezembro, 1922). 
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Nelly_Roussel
 

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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