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Enfermagem com direito a debate de género?

2019-03-07

A profissão de enfermagem nasceu dos cuidados ditos “de mulheres”, cujo crescimento e afirmação se fez, apesar das normas definidas por um mundo patriarcal. A metamorfose de “cuidados de mulheres” em cuidados de enfermagem de grande rigor e cientificidade deveu-se às grandes conquistas das nossas antepassadas. 

“As mulheres podem esquecer…enquanto eles (sociedade) não libertarem a enfermagem e as enfermeiras e garantirem os seus direitos, nunca veremos a libertação da mulher…, a profissão de enfermagem é 1 indicador do estatuto da mulher na sociedade”. 
                  Jo Ann Asley (enfermeira, educadora e escritora norte-americana)
 
A profissão de enfermagem nasceu dos cuidados ditos “de mulheres”, cujo crescimento e afirmação se fez, apesar das normas definidas por um mundo patriarcal. A metamorfose de “cuidados de mulheres” em cuidados de enfermagem de grande rigor e cientificidade deveu-se às grandes conquistas das nossas antepassadas. 
Assim, sendo, da nossa árvore genealógica, fazem parte enfermeiras nómadas no paleolítico, parteiras de classe elevada (antes do século V), enfermeiras freiras (seculo V), enfermeiras prostitutas (durante a guerra dos cem anos), pois só elas tinham o conhecimento do corpo masculino. Passando pelo século XIX, em que Florence Nightingale, a senhora das lamparinas, instituiu a enfermagem como uma arte e ciência. Uma das tetravós da enfermagem portuguesa, foi D. Maria Antónia de Mattos (Dama enfermeira da cruz vermelha) que, durante a guerra colonial, colocou a funcionar um hospital. Até ao século XXI, em que somos 71 802 enfermeira/os, 82% são mulheres.  
E, atualmente, somos licenciadas/os, mestres, especialistas e gestoras/es, regidas/os por um Regulamento de exercício profissional e ao abrigo de uma ordem. Uma profissão autónoma com um papel preponderante no seio de uma equipa multidisciplinar.
Contudo, e a propósito das questões de género, a perspetiva social da enfermeira é ainda longe daquela referida acima. Seria de supor que, dado as nossas habilitações, possuíssemos um estatuto social que nos dignificasse. 
A imagem da enfermeira nas revistas, filmes, séries, internet, etc, prende-se ainda com a sexualização do corpo e com uma posição de submissão relativamente ao médico (normalmente do sexo masculino), bem como em alguns casos a de uma enfermeira santificada e com um total sentido de abnegação.
Estes fatos, não sendo apenas do senso comum, são, também, objetos de concordância em diversos estudos que têm como premissa a representação social da enfermeira. Apontam, inclusive, para que estes estereótipos moldam tanto a opinião pública como a autoperceção das próprias enfermeiras.  
Não deixa, porém, de ser curioso que, num grupo profissional maioritariamente composto por mulheres, a diferença entre as enfermeiras e enfermeiros resida, apenas, na categoria de gestão em que 2.3 % são gestoras e 4.1% gestores.
Assistimos, assim, a noções fixadas e irrealistas das enfermeiras que as destitui do seu real valor profissional e negligencia uma ação igualitária nesse campo. Desta feita, apelo a que se transmute a representação social da mulher enfermeira igualando-a ao seu estatuto profissional. E, talvez, se possa erguer, em simultâneo, a dignidade de todas as mulheres do mundo.   
 
Liliana Janeiro. Enfermeira 

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A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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