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Janela sobre o passado Outubro 2017

2017-10-26

Sendo certo que, entre 1914 e 1918, o esforço de guerra deveu imenso ao contributo e ao sacrifício femininos, é igualmente certo que, antes da contenda, muitas feministas europeias lutavam pelo direito ao voto, com a finalidade de difundir o pacifismo e de conseguir dar relevância à sua oposição à guerra.


Não obstante, eram também inúmeras as mulheres que se identificavam com ambições nacionalistas e que, por consequência, defendiam o confronto armado para mostrar o seu patriotismo e reclamar a cidadania. Aliás, com a eclosão do conflito, a maioria das organizações socialistas e feministas abandonaram os seus compromissos com o internacionalismo e o pacifismo, a fim de apoiarem os seus países. A mobilização de mulheres tornou-se uma realidade, ora incentivada por organizações feministas, como a Federação de Mulheres Alemães, ora impulsionada em eventos, como O Congresso Internacional de Mulheres de Haia (1915). O facto é que apesar do terror, das privações e da perda de milhões de vidas, que muito afetou o tecido social e familiar — e, em particular, esposas e mães — a I Guerra Mundial proporcionou novas experiências laborais que, a curto prazo, acabaram por contribuir para a emancipação das mulheres. Há historiadores que defendem que o conflito mundial foi também gerador de uma “guerra dos sexos” dadas as novas ameaças que penderam sobre as formas convencionais de feminilidade e masculinidade. Afinal, com o desenrolar da guerra, ao soldado debilitado e desgastado pelas frentes de batalha (imagem antagónica da força e da virilidade) opunham-se mulheres vigorosas e dedicadas que desempenhavam, com competência, funções civis e militares de grande relevância. Com o pós-guerra e com a restauração da ordem social, adivinhava-se imprescindível negociar o lugar dos homens e das mulheres nos domínios privado e público. Pressentiam-se revoluções e contrarrevoluções de género e de classe.

|| Susana Serpa Silva

susana.pf.silva@uac.pt

Asas da Igualdade - Açoriano Oriental, 25 Outubro 2017

Sugestões de leitura:

Barbara Caine y Glenda Sluga (2000), “ La guerra y el nuevo orden mundial”, in Género e Historia. Mujeres em el cambio sociocultural europeu, de 1780 a 1920, Madrid, Narcea, S.A. De Ediciones (com la cooperación del Secretariato Europeo per le Pubblicazione Scientifiche).

 

G. Braybon (1981), Women Workers in the First World War: the Bristish Experience, London, Croom Helm.

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Asas da Igualdade

A partir daqui pode ver Nas Asas da Igualdade: edição mensal da Umar-Açores e publicação no Açoriano Oriental.
A página Nas Asas da Igualdade foi lançada pela UMAR-Açores, integrada no projeto com o mesmo nome, desenvolvido em 2007 Ano Europeu da Igualdade e prossegue desde então até aos nossos dias



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